de Maria João Miguel



Fragmentos,
Adaptação do texto Dissident de Michel Vinaver

Helena e Filipe, seu filho, vivem juntos num modesto apartamento. Ambos apresentam uma agressividade corrente e quotidiana, tal como muitas famílias em dificuldade. Os problemas crescem no seio desta duas personagens banais.
Este projecto teatral surge no âmbito de um confronto experimental entre o texto e prática cénica. Desde cedo assumimos o desafio de uma adaptação livre do texto de Vinaver, porque o nosso objectivo não são as palavras, mas sim as impaciências, as irritações, as resignações, as respirações, os silêncios e as fugas das personagens co-habitantes no universo social contemporâneo, que está num ponto em que a comunicação escasseia.
Carlos Marques
A Peça
Sobre o processo e os objectivos,
“Considerar a encenação como um mero prolongamento do texto do autor é fazer da representação algo inessencial (…) o texto ficará à mercê do talento de quem com ele estabelece um contacto, não é de ilustração cénica, mas de verdadeira recriação.”
José Oliveira Barata
“No teatro, a palavra vive de uma dupla glória (…) é escrita, como a palavra de Homero, mas ao mesmo tempo é proferida como palavras que trocam entre si dois homens no trabalho, ou um bando de rapazes, ou as raparigas no lavadouro, ou as mulheres no mercado – em suma, como as pobres palavras que se dizem todos os dias, e se esfumam com a vida (…)”.
“O Homem só se apercebeu da realidade quando representou.”
Pier Paolo Pasolini
Ficha Técnica

No natural processo de crescimento todos nós aprendemos a falar e a exprimirmo-nos através de uma reunião de sons correspondentes a uma ou mais ideias, aquilo a que chamamos palavras. Sem nos apercebermos, quando temos dificuldade em utilizar a expressão oral é o corpo que “fala por nós”.
Foi com base nisto, que propus a este grupo a montagem de um espectáculo não só exclusivamente de expressão corporal, também de expressão oral – embora mais reduzida.
Este espectáculo não é mais que uma exploração de movimentos do corpo que possam substituir as palavras do quotidiano – o encontro com uma expressão corporal que por vezes pensamos não possuir.
Como seria viver num mundo em que só se pudesse comunicar através de movimentos corporais, em que as linguagens gestual e oral fossem totalmente desconhecidas?
Seleccionamos músicas e ideias. Construímos vários quadros, em que tentámos expor/desenvolver alguma ideia com o auxílio da música.
Hugo Sovelas
1ª Parte
Gestus Amargus
1919, Ryuichi Sakamoto
Gestus Habituais
A Máquina de Escrever, Leroy Anderson
Ficha Técnica
Direcção de ActoresAs Vedetas,
de Lucien Lambert
Em “As Vedetas”, Lucien Lambert retrata as dificuldades de duas artistas do Teatro (ou do Cinema, ou da Televisão, ou da Publicidade) em arranjar trabalho, os seus sonhos de vedetismos, a dificuldade de destrinçarem o desejo da realidade, até ao instinto de competição num “sistema”em que o estar à beira do telefone no momento certo, ter a cor do cabelo aconselhável, ou saber ceder às “insinuações” do encenador ou do realizador, são fundamentais para a mais elementar subsistência, da vida como do mito.
“There’s no Business Like Show Business”, é o mote desta peça em que o lado de lá da magia e do encanto do espectáculo é nos mostrado no seu estado mais cru.
Duas mulheres representam duas actrizes. Elas têm quase a mesma idade, são as melhores amigas mundo. Uma é loura, outra é morena. Fizeram um pouco de Teatro, um pouco de Televisão, um pouco de Cinema, um pouco de tudo… mas não muito de nada. Em comum a profissão, o amante e necessidade de uma papel que as transforme em vedetas. E, à espera… elas aceitam fazer quase tudo.
Ambas são autênticas, falsas, patéticas, cúmplices e rivais. São mulheres e actrizes, e será que “ser mulher e actriz, será ser mulher duas vezes?”
Simone e Sylvie fazem aquilo que o mercado oferece, como e quando oferece ou “quando vão para a cama com a pessoa certa”. Com atitudes distintas e formas de pensar contrárias: Simone acha que “representar não é coisa que se aprenda”, é apenas uma questão de talento; Sylvie aposta nas aulas de dicção e de projecção e na declamação de Racine e Voltaire, e em “sorrisos carnívoros” dirigidos ao realizador, ao produtor ou mesmo ao argumentista; Simone está farta dos que não procuram uma boa actriz optando por uma boa atrás.
Assim, “As Vedetas” é uma obra acerca de duas mulheres e atrizes que, estão permanentemente, em conflito social e artístico, ora destrutivo, uma com a outra. Conflito, este, que no final se transforma em solidariedade.
Hugo Sovelas
Encenador
Primeira representação em 1998
Segunda representação em 2001
Ficha Técnica

Esperamos por si em Montemor-o-Novo.
O Centro Cultural de Campo Maior é um espaço multifuncional, dotado das mais modernas tecnologias, que fazem dele o local ideal para a realização de variados eventos.
Construído com o fim primeiro de satisfazer as necessidades culturais de Campo Maior, o Centro Cultural está, no entanto, aberto a receber outro tipo de iniciativas, tanto a nível local, como regional ou nacional.
A forma como foi pensado e executado faz dele o local ideal para cinema, teatro, dança, concertos, congressos ou conferências, tendo a capacidade de acolher todos aqueles que, por trabalho ou lazer, queiram desfrutar deste magnífico edifício.
O coração desta estrutura é o seu Auditório, com uma capacidade de 216 lugares, 6 dos quais para pessoas portadoras de deficiência motora.No entanto, não se esgotam aqui as possibilidades deste espaço. De facto, o Centro Cultural integra um conjunto de salas que permitem a realização de outro género de eventos, tais como acções de formação, palestras, exposições ou apresentações temáticas.
Toda esta oferta surge enquadrada num dos mais belos concelhos do Norte Alentejano, a menos de 2 horas de Lisboa e a escassos 15 minutos de Espanha. Campo Maior tem para oferecer, a quem o visita, a monumentalidade do seu património histórico, a beleza da sua riqueza natural, os sabores de uma gastronomia rica e variada e a hospitalidade de um Povo que sabe receber.
(Texto sobre o Centro Cultural retirado do site da Câmara Municipal de Campo Maior)

Peça estreada em 2005
"Homem Só" a partir de ‘RTX 78/24’,
de António Gedeão
“Homem Só” pode ser considerada como uma viagem ao íntimo de Rómulo de Carvalho transfigurado para Gedeão. Na peça original “RTX 78/24”, escrita em 1963 são facilmente identificáveis os seus poemas transformados em escrita teatral. A adaptação feita pelo “Theatron” põe a nú todos os conflitos internos do protagonista António (considerado como sendo Gedeão) deixando para segundo plano o contexto histórico. Num ambiente de brancura foi explorado um espaço intemporal onde tudo é cíclico, sonho e (in)consciente. As personagens ganham cor levando António a confrontar-se com a sua visão da sociedade, uma visão, ora ambígua, ora controversa, ora polémica. Revelações íntimas, demasiado dolorosas e confusas para a sensibilidade de António que defende as relações humanas como princípio e causa de tudo o que nos rodeia. Numa sociedade de materialismo individualista onde parece já não haver lugar para os idealistas, “Homem Só” relembra-nos as palavras do poeta Gedeão e remete-nos para uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.
A Peça
O Cenário
Ficha Técnica
Encenação e dramaturgia – Hugo Sovelas
Assistência de encenação – Teresa Macedo
Produção executiva – Todinha Santos
Equipa de cenografia, figurinos e adereços – THEATRON
Execução de cenografia – Câmara Municipal de Montemor-o-Novo
Execução de figurinos – DONATA
Luminotécnia – Cristina Santos
Contra-regra – Alexandra Cacilhas e Isabel Contreiras
Interpretação
António – João Rosado
Vitória – Rosa Souto Armas
Glórinha – Graça Pires
Georgina – Hermínia Santos
Rui – António Coelho
Minda – Graça Cabral
Judite – Susana Cigarro
Trapeiro – Joaquim Gervásio
Trapeira 1 – Zara Sampaio
Trapeira 2 – Sofia Sampaio
Tia Serafina – Maria João Crespo
Tia Angélica – Carla Rodrigues
Bernardo – Bernardino Samina
Mendonça – João Macedo
Sr.ª Directora – Bia Estróia
Sr.ª Doutora – Fátima Pasadas
r os acontecimentos sociais em seu processo dialéctico: Diverte e faz pensar. Não se limita a explicar o mundo, pois dispõe-se a modificá-lo. Brecht, que passou pelo expressionismo, não ancorou o seu barco em nenhum dos portos das escolas literárias. Apesar de ligado ao Partido Comunista, não se subordinou ao realismo socialista. Ao contrário, opôs-se a ele com ardente tenacidade. Daí a repulsa das autoridades soviéticas pelas suas peças teatrais que foram proibidas na Rússia de Stalin. Muito embora Brecht não se tivesse pronunciado abertamente contra os processos de Moscovo, em virtude da pressão que sofreu, no ocidente, sob o pretexto de que o combate a Stalin significava o fortalecimento de Hitler e do nazismo, foi com profundo horror que ele acompanhou os trágicos acontecimentos que levaram os principais dirigentes da revolução russa, companheiros de Lenine, a confessar, antes serem fuzilados, uma série de crimes hediondos que jamais cometeram. Foram estas falsas confissões, segundo Isaac Deutscher, que levaram Brecht a
escrever Galileu Galilei, talvez a mais importante das suas obras dramáticas. A incompatibilidade de Brecht com o regime stalinista era tão aguda que, ao exilar-se da Alemanha de Hitler, preferiu asilar-se nos Estados Unidos, onde se sentiu mais seguro. Em 1933, quando Adolfo Hitler, à frente do Terceiro Reich, estabeleceu o nazismo na Alemanha, inaugurando uma nova ordem que, segundo ele, deveria durar dez mil anos, Bertolt Brecht, com trinta e cinco anos de idade, abandonou o país, asilando-se em várias cidades da Europa. As suas obras, em Berlim, foram queimadas em praça pública com tantas outras dos mais famosos escritores da época. No dia em que a Alemanha invadiu a Dinamarca, Brecht, que se encontrava nesse país, fugiu para a Finlândia. Dali partiu para Vladivostok, onde embarcou para os Estados Unidos. No exílio, que durou até o fim da Segunda Guerra Mundial, publicou vários poemas que contribuem para a sua glória literária. Brecht não se cansou de fustigar violentamente a figura de Hitler, mostrando os crimes do nazismo. De volta à Alemanha, depois do desmoronamento deste regime, continuou a lutar, como marxista, pela causa operária.





