2009-07-01
2009-05-31
Público enganado nas In(e)vasões de Carlos Cebola
Se o texto literário, tal como refere Barthes, é um entretecer de inúmeros textos, palimpsestos impossíveis de distinguir, produto de uma sobreposição de culturas e de conhecimentos - e segundo outros especialistas é por isso mesmo que nada é original -, o autor da peça ultrapassou essas teorias e colocou actores e texto a um nível dramatúrgico que, aparentemente de difícil execução, resultou numa perfeita lição de teatro. E nada mais modernista do que pôr o texto a falar dele próprio, os actores a comunicarem como seres humanos e não como seres de papel decalcados num cenário, com a encenação a ajudar, dando esta ênfase a um equilibrado misturar de tempos, de épocas e de ritmos. Assistiu-se ao teatro a prestar uma homenagem a si próprio, piscando o olho direito ao público, que se entregou ao jogo desde o primeiro momento, e o esquerdo a Brecht (desculpem a insistência), um dos primeiros a escrever e a encenar um tipo de representação teatral que, de quando em vez, tornasse o espectador consciente de que o que via não era mais do que uma representação.
Mas a peça, logo definida de início com um “exercício”, vai muito longe, muito para além desse humilde desiderato. O carácter metaliterário e provocador de In(e)vasões torna-se visível de imediato quando, perversamente, as personagens se tratam pelo nome próprio dos actores, situação improvável num texto clássico. Sabemos que o transtornado Hamlet nunca se chamou em palco Laurence Olivier ou Kenneth Branagh, nem a calculista Lady Macbeth responderia pelo nome de Sarah Bernhardt.
Que o Theatron tivesse sabido dar vida às palavras de Carlos Cebola, já eu calculava que era possível. Que Vítor Guita, a respirar o pó do palco uma vida inteira, seja um especialista nas encenações daquele autor de Niza, naturalizado montemorense, também foi uma constatação. Que Maria João Crespo manifeste perfeito conhecimento das capacidades e limites dos seus colegas actores da Associação Theatron, foi igualmente fácil de perceber. O que me deixou profundamente fascinado foi Carlos Cebola, com mais de sete décadas de vida, ter concebido um texto com uma estrutura que parece ter saído da mais moderna escola europeia (ou americana) de guionistas, mostrando de forma inteligente, como aliás é hábito, o seu espírito rebelde e desafiador das normas para, imaginem, enganar o público, fingindo dizer a verdade, fazendo lembrar, ao de leve, um certo texto de Almeida Garrett.
Avisado pelos actores-personagens, por mais do que uma vez, que não iria assistir à representação de uma peça de teatro, pois não viu o público outra coisa, com os nomes das personagens a confundirem-se maliciosamente com os dos actores, com Montemor ao fundo, em imagens, ouvindo referência aos nomes dos sítios e das ruas no decorrer da “narrativa”. Um “simples exercício” não pode ter a profundidade que o texto foi revelando aos poucos, em crescendo e com um fantástico e propositadamente ofensivo anti-climax. O recheio, fundo e espesso, do qual a caneta (agora o teclado) de Carlos Cebola nunca abdicou nestas largas décadas de escrita, esteve lá, mais uma vez mostrando o Homem como o centro da intriga, mas simultaneamente como o último reduto da esperança, o lugar derradeiro onde pode haver solução para os seus problemas, uns mais metafísicos, outros de pura condição humana.
E a lição que tirámos desta vez (se é que era esta a intenção do autor, a de nos dar uma lição) é a continuação do que já sentimos em alguns dos seus textos dos anos 50/60 (Três Tardes de Três Outonos, A Cigarra e a Formiga, A Acácia no Quintal ou Quinto Mandamento) e noutros mais recentes (João Cidade e Tamar): para o dramaturgo, nada é completamente branco, nada é completamente preto. Há sempre que dar lugar ao cinzento. Ou a outra cor qualquer. É isto, para além daquilo que já escrevi e do muito que fica por dizer, que faz de Carlos Cebola um autor modernista, tendo-o já começado a ser, avant la lettre, há mais de meio século.
Afinal de contas, o público foi enganado. Disseram-lhe que não ia ver teatro e afinal foi obrigado a ver um texto de qualidade concretizado em palco por um grupo de qualidade.
Há enganos felizes.
João Luis Nabo
2009-05-26
IN(E)VASÕES
Falamos sobre o nascimento da ideia para a peça, em contexto de preparação do Plano de Actividades da nossa associação para o ano de 2008.
Vítor Guita referiu que sempre gostou de “ligar as actividades teatrais ao contexto histórico da nossa terra, dando a conhecer a História vivamente”.
Embora inicialmente se tivesse pensado numa animação de rua, esta mudou através de uma conversa com o Professor Carlos Cebola que veio a construir o texto dramático, evocando a efeméride, tendo este ficado pronto no Verão de 2008.
Então, a Theatron “agarrou as palavras e pensou em mostrá-las em cima do palco”.
Por outro lado, uma vez que, na época, a Theatron estava a comemorar o 10º aniversário, o Professor Carlos Cebola aproveitou e transformou o texto inicialmente apenas histórico, num texto reflectivo sobre o próprio Teatro, sendo assim, este é também um texto pedagógico.
Posteriormente, Vitor Guita e Maria João Crespo conceberam o espectáculo a partir do texto, houve reuniões para ver disponibilidades e os ensaios tiveram inicio no final do Verão de 2008, não tendo sido possível estrear ainda no ano de 2008, como inicialmente se pretendia.
Vítor Guita referiu ainda que o texto do Professor Cebola é uma história entre a ficção e a realidade, baseada na escassa bibliografia até hoje publicada pois, a História não fornece muitos detalhes acerca do episódio que aconteceu em Montemor, por isso, o texto da peça teve de ser constituído com base nos escassos elementos disponíveis.
Em jeito de conclusão, Vitor Guita ressalvou duas questões: a primeira tem a ver com o facto de (in)felizmente o Cine Teatro nem sempre estar disponível pois, “é sempre bom experimentar sempre em cima do palco”.
Por fim referiu que “apesar de se tratar de um grupo amador, o prazer de estarmos juntos e a fazer teatro, tem compensado todo o tipo de limitações”.
Obrigada Professor!
Breve nota sobre o contexto histórico da peça In(e)vasões
Perante a posição dúbia do futuro rei D. João VI, um exército comandado pelo general Junot invadiu o território português, por terras da Beira Baixa, a 17 de Novembro daquele ano.
Receosa, a família real partiu para o Brasil e entregou o governo a uma Junta de Regência que, em Fevereiro de 1808, foi destituída pelos franceses.
Portugal ficou na dependência de Napoleão. Surgiram uma série de saques e outros actos violentos perpetuados pelos invasores.
Perante os focos de rebelião, que começaram a germinar no país, nomeadamente em Évora, tropas francesas, comandadas por Loison (o Maneta) saíram de Lisboa por Aldeagalega (actual Montijo), em direcção à cidade alentejana.
Em Montemor-o-Novo, organizou-se uma resistência. No dia 28 de Julho de 1808, foi montada uma emboscada às tropas francesas, nos arredores da vila de Montemor-o-Novo, mais precisamente no Porto de Lisboa, junto ao Cavaleiros, onde a estrada real atravessava o Rio Almansor.
Os resistentes foram esmagados, Montemor saqueado e as tropas francesas seguiram a caminho de Évora.
2009-03-30
Farsa em Santa Susana
2009-03-12
2009-03-11
Assembleia Geral
2009-02-28
Estamos de volta!
Mais uma vez solicitamos as nossas desculpas por esta nova ausência.
Hoje, a Farsa de S. Bonifácio apresentar-se-á em S. Cristovão, pelas 21h30m., será uma oportunidade para ver (ou rever) esta peça que é de "rir e chorar por mais"!
Dentro de alguns dias, voltaremos a actualizar o blog com todas as informações pertinentes para os nossoas leitores, associados e demais amigos.
Obrigada a todos!
2009-02-03
Farsa em S.Cristóvão
A nossa peça continua a chamar-se "Farsa em S.Bonifácio" e as nossas preces, antes de cada representação, vão para o padroeira desta peça.
S.Cristóvão é uma simpática e amiga Freguesia do nosso Concelho de Montemor-o-Novo que, mais uma vez, teve a amabilidade de nos convidar a representar uma peça da THEATRON.
Representação da peça de teatro "Farsa em S.Bonifácio" no dia 28 de Fevereiro pelas 21H30, na sede do Grupo União Sport São Cristovense.
Se ainda não conhece a Benvinda venha saber o que ela está a pensar ou aquilo que o Pascoal estará a planear desta vez.
Poderá também conhecer, se ainda não conhece, S.Cristovão.
+ S.Cristóvão
2008-12-03
Jantar de Natal
O jantar será em 13 de Dezembro de 2008 pelas 20h30.
Vamos todos nos divertir e quem sabe... receber aquela prendinha que nunca sonhámos receber.
Assembleia Geral
Ponto 1 - Apresentação do Plano de Actividades e Orçamento para 2009
Ponto 2 - Exclusão de Sócios com mais de 24 meses de quotas em atraso
Ponto 3 - Outros assuntos
Se à hora marcada não se verificar o número necessário de presenças, a Assembleia Geral reunirá com o número de presentes, meia hora depois.
2008-11-22
Excertos "Casa de Bernarda Alba"
O filme já existia, o Carlos Olivença e o Rúben fizeram esta apresentação que foi mostrada na nossa Gala quando chegou a vez dar a conhecer esta maravilhosa peça só com mulheres.
Conhecer a peça
2008-11-16
Gala, as primeiras imagens
Aqui ficam os links para as fotos.
Fotos 1
Fotos 2
Obrigado.
A Gala foi um sucesso

Com o sucesso da nossa Gala chegámos ao fim das comemorações do 1oºAniversário.
O nosso obrigado a todos que contribuíram para o dignificar o nome da Theatron durante estes 10 anos.
O nosso obrigado a todos que contribuíram directa ou indirectamente para a realização Gala.
Vamos tentar colocar as fotos da Gala o mais breve possível aqui no blog.
2008-11-13
A nossa Gala

Marque na sua agenda
Gostaríamos de contar com a sua presença. Venha e traga um ou mais amigos. Teatro é festa, é alegria.
Divulgue. A entrada é livre.
Farsa na Dramática

2008-11-04
Farsa em Vendas Novas, 7 de Novembro

DE 01 DE NOVEMBRO A 01 DE DEZEMBRO DE 2008, ÀS 21:30H NO AUDITÓRIO MUNICIPAL DE VENDAS NOVAS.
DIA 01 NOV 21H30
“CENAS PARA UM TEATRO SEM FUMO 2”
Grupo de Teatro "Palcoadas e Teatranças" (Oeiras)
de Joel Costa, com encenação de Filipe Almeida
DIA 07 NOV 21H30
“FARSA EM S. BONIFÁCIO”
Theatron, Associação Cultural (Montemor-o-Novo)
A partir do texto de um autor desconhecido com
adaptação de Maria João Crespo e encenação de Graça Pires, Sofia Sampaio e Maria João Crespo
DIA 08 NOV 21H30
“TRÁGICOS À FORÇA”
Grupo de Teatro Blá Blá Blá (Campo Maior)
A partir de três comédias de Anton Tchékhov
com encenação de Adriano Bailadeira
DIA 14 NOV 21H30
“TEATRO DAS MARAVILHAS”
Grupo Cénico da S. O. I. R (Évora)
De Miguel Cervantes com encenação de João Bilou
DIA 15 NOV 21H30
“A RATOEIRA”
Grupo de Teatro de Benavente "Sobretábuas"
De Agatha Christie com encenação de Domingos Lobo,
DIA 21 NOV 21H30
“O REI PASMADO”
Grupo de Teatro Artimanha (Pinhal Novo)
de Gonzalo Torrente Ballester com encenação de Rui Guerreiro
DIA 22 NOV 21H30
“CUIDADO COM ELES”
Grupo de Teatro do Clube Recreativo e Instrução
Sobredense (Sobreda - Almada)
Teatro de revista à portuguesa
DIA 23 NOV 16H00
“JOANICO DE VOLTA AO MUNDO”
Grupo de Teatro "Ultimacto, Grupo de Teatro de
Cem Soltos" - Teator Infantil (Cem Soltors - Tomar)
De António Clemente, Delphim Miranda e Rui Ferreira,
com encenação de António Clemente e Luís Tomás
DE 27 NOV A 01 DEZ 21H30
“A COMÉDIA DOS BURROS”
Grupo de Teatro de Vendas Novas
de Plauto com encenação de Rui Dias
ver cartaz
Regresso!!!
Pedimos desculpa, aos nossos associados e amigos que nos visitam, por este tempo de inactividade.
Ao longo deste tempo a THEATRON não esteve parada, desde a preparação do 10º Encontro à Gala do 10º Aniversário a realizar no Cine-Teatro "Curvo Semedo" no dia 15 de Novembro de 2008 pelas 17h00 com entrada livre, passando pela nova peça de teatro a estrear no inicio de 2009 e leitura de textos de poesia na Biblioteca Municipal, ...
Vamos tentar ter o blog o mais actualizado possível.
Obrigado pela compreensão.
Saudações Culturais.
2008-04-14
Farsa a 18 e 19

Depois da estreia a 23 de Fevereiro, vamos estar novamente em palco com a peça "Farsa em S.Bonifácio"
Vem assistir a uma farsa rica em acontecimentos inesperados, que geram uma tremenda trapalhada e ninguém sabe como resolve-los.
Cine-Teatro "Curvo Semedo", Montemor-o-Novo
18 e 19 de Abril
21H30
Esperamos por ti.


